Moradora de rua emociona ao ajudar cego chegar no ponto de ônibus

Viraliza pelas redes sociais, desde o início dessa quinta-feira (1º), um vídeo que tem dado o que falar e encantado internautas de diferentes partes do país.

As imagens repercutem por mostrar uma moradora de rua ajudando um deficiente visual a atravessar uma rua até um ponto de ônibus.

O registro, que tem sido compartilhado em páginas e sites diversos, foi gravado em Cuiabá, no Mato Grosso, pelo jornalista Luiz Vieira. Repórter da TV Vila Real, afiliada da RecordTV. Ele estava em uma praça da cidade aguardando para gravar uma entrevista quando se deparou com a cena.

Ao BHAZ, Vieira contou nesta sexta-feira (2) que a movimentação da moradora de rua chamou a atenção dele.

“Eu estava dentro do carro esperando um entrevistado para fazer uma reportagem sobre a restauração de um monumento histórico quando a vi atravessando a rua com o deficiente visual”, disse. “Aquela cena me chamou muito a atenção. Ela bastante debilitada o ajudou a atravessar a rua até o ponto de ônibus. E, quando retornava, ainda desejou bom dia para pessoas que estavam aguardando a chegada dos ônibus”, explica.

Eu estava trabalhando, quando me deparei com essa cena e decidi registrar. Essa é a Cléia, uma moradora de rua de 38 anos, que com toda alegria, ajudou um deficiente visual a atravessar a rua e o conduziu até o ponto de ônibus. Senti que ela merecia algum tipo de reconhecimento por essa atitude tão bonita e inesperada. Ela vive na rua há mais de 20 anos e não consegue mudar de vida, mas ao contrário do que a maioria das pessoas julgaria pela aparência, ela ofereceu o pouco que pode a alguém que estava precisando de ajuda. Enquanto muitos têm de sobra e não pensam em nada além de si mesmos. A rua é pesada, amigo! Cada dia vivido é incerto. Mas a Cléia enfrenta esse submundo com o sorriso no rosto. Que tapa na cara, hein?! Obrigado pela conversa, Cléia! E é claro, pelo abraço!

Posted by Luiz Vieira on Thursday, August 1, 2019

O jornalista conta ainda que ao gravar a moradora de rua, identificada apenas como Cléia, a intenção não era a visibilidade das imagens em si. Mas mostrar um outro lado da população em situação de rua.

“É impressionante você pensar que o lado mais fraco da força estava ali oferecendo o que tem. E a gente não fazendo o mínimo para ajudar o próximo”, reflete. “Pessoas em situação de rua são vistas e interpretadas, em sua maioria, como marginais e perigosas. Mas esse é o exemplo de que talvez elas só precisem de um pouco de humanidade”, continua.

Vieira disse ainda ter voltado ao local onde gravou Cléia ajudando o deficiente para conversar com ela novamente. No primeiro encontro, eles trocaram algumas poucas palavras e o rapaz ofereceu à mulher um lanche. Da segunda vez, no entanto, ela acabou detalhando como foi parar nas ruas.

“Depois de gravar esse vídeo que viralizou, eu voltei lá para gravar com ela uma reportagem para a TV.

Ela me contou que mora há mais de 20 anos na rua e que tem 38, apesar da aparência debilitada. A Cléia contou que foi parar na rua por conta de problemas familiares, que perdeu a guarda de duas filhas e que começou a usar drogas”, explica.

Segundo o jornalista, a mulher relatou ter vontade de “mudar de vida” e deixar as ruas. “A Cléia disse que tem vontade de mudar de vida, de deixar a rua e arrumar um lugar seguro para morar, mas que não sabe como. Ela contou já ter sido agredida e que não tem muitas perspectivas”, disse.

“A Cléia é muito querida naquela região. Uma pessoa até comentou que ela pediu dinheiro um dia e que, como não recebeu, pediu apenas que desejassem a ela um bom dia”, conta. “Ela é muito simpática, dizem que ela costuma ajudar as pessoas frequentemente, idosos e deficientes principalmente. Apesar disso, ela gosta da solidão, de ficar isolada e não se misturar muito com outras pessoas que circulam pela praça”, afirma.

Por fim, o jornalista contou que as pessoas têm se mobilizado para oferecer ajuda à mulher, mas que ainda não soube de nada mais concreto. “As pessoas estão dizendo que vão passar por lá e ajudá-la. Mas ainda não soube de nenhuma outra ação nesse sentido”, conta.

Fonte: Bhaz

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